Em Foco

Introspecção:

Texto base: I Sm 12:2-5

 

Um Homem de Deus

 

Uma personagem cuja vida, piedade e integridade muito me impressionam é o profeta Samuel. Samuel viveu um dos tempos mais corrompidos da história de Israel. Esse período foi de mais ou menos três séculos depois da entrada na terra que Deus havia prometido ao Seu povo até o estabelecimento da monarquia.

A tradição judaica nos confirma que Samuel viveu aproximadamente até os cem anos de idade, dos quais sessenta ele atuou como juiz da nação. A sua integridade era algo reconhecida por todos os de sua nação. Ao olharmos, porém, para a vida dos seus filhos, percebemos que eles não seguiram o exemplo e não andaram nos mesmos passos do seu pai (I Sm 8:1-3).

Samuel, além de desempenhar a tarefa de juiz da nação naqueles duros dias, acumulou, também, a função de profeta e sacerdote de Israel. Isto, somado às demandas e necessidades de uma época imersa em caos, legava a este homem de Deus uma tarefa sobre-humana (I Sm 7:6-17). O circuito entre Betel, Gilgal e Mispa era de aproximadamente 80 km. Um trajeto considerável, se levarmos em conta os rudimentares meios de transporte daqueles duros dias vividos elo profeta. É bem provável que o seu ministério público tenha-o conduzido a certo distanciamento do seu ministério privado e da companhia dos seus filhos.

Hoje, não é muito raro, também, encontrarmos filhos de pastores/as, missionários e tantos outros homens e mulheres de Deus feridos, céticos e descrentes em relação à fé por duas razões básicas:

  1. Filhos/as vítimas das agendas dos pais, do excesso de viagens, compromissos e atividades;
  2. Outros filhos/as que vivem um abismo entre a fé privada e a fé anunciada publicamente.

Na sociedade contemporânea a nós, o cristianismo se tornou cultura. Com isso, muitos se esqueceram que a dimensão pública da fé se inicia na esfera privada, na família, no cotidiano, nos vínculos, olhares e gestos. No desejo de serem profetas, juízes e sacerdotes da nação acabam negligenciando as causas domésticas. Na ânsia de ganhar o mundo, perdem o filho/a, esposa/o e a própria alma. A riqueza do ser humano não pode ser medida pelos bens que possui ou por aquilo que ele acumulou ao longo de sua vida. Porém, pode ser medida especialmente por todos aqueles tesouros que não podem ser adquiridos por dinheiro algum deste mundo, como a afeição pela esposa e pelos filhos; amabilidade dos gestos; respeito mútuo; vínculos e elos de amor inseparáveis; o calor, os olhares, os afetos, as lembranças, a saudade, a convivência que se tornou amiga, íntima; a verdade e o amor.

Busco deixar para os meus filhos/a um legado, e não apenas uma herança, pois legado é a continuidade de uma missão. Nossa missão e propósito é anunciar o Cristo da fé para toda a humanidade.

Em Cristo,

Pr. Wesley Soares do Nascimento