Em Foco

Devocional Diário 06/09/21

Adoração Extravagante

 

O Mestre foi convidado por Simão, um Judeu ultraortodoxo que pertencia à seita dos fariseus. Muito embora os fariseus fizessem uma forte oposição à pregação de Jesus. Na cultura judaica do primeiro século, a refeição era símbolo de união, amizade e comunhão. E, foi isso que Jesus fez: “E rogou-lhe um dos fariseus que comesse com ele; e, entrando em casa do fariseu, assentou-se à mesa” (Lucas 7:36).

Segundo Louis Claude Filion, teólogo, judeu francês, dentro dos costumes judaicos daquela época, o lar não era um recinto isolado. A casa de um senhor abastado, que convida seus amigos para um banquete, torna-se uma “sala teatral”, com entrada franca. Os curiosos podiam entrar e espiar. Jovens, velhos, ajuntavam-se diante da porta e ficavam ali, observando todo o movimento. “E eis que uma mulher da cidade, uma pecadora, sabendo que ele estava à mesa em casa do fariseu, levou um vaso de alabastro com unguento” (Lucas 7:37).

Lucas prossegue o seu relato dizendo que uma mulher pecadora levou um vaso de alabastro com unguento para o local do banquete. No original, em hebraico, o nome desse vaso é צִנְצֶנֶת, “tsintsenet”, um jarro de vidro. Um material mais transparente do que os vasos tradicionais de cerâmica. E, a vida daquela mulher era, sem dúvida, muito transparente. Todos sabiam da sua reputação. Ela não estava ali tentando esconder a sua história. Ao contrário, ela trouxe tudo para diante do Mestre. Ela não estava ali para se autopromover, mas sim para buscar misericórdia e graça, disposta a se humilhar diante de Deus. A própria palavra usada para descrever que Jesus se assentou à mesa é o verbo לְהָסֵב, “lehasev”, que também significa “mudar algo”. De fato, o Mestre se assentou para realizar mudanças naquela noite. Em hebraico, o nome do óleo que havia no vaso de alabastro é בֹּשֶׂם, “bosem”, um bálsamo perfumado. Era costume do anfitrião (o dono da casa) gotejar uma vez, esse óleo perfumado, na cabeça do convidado principal.

Nesse instante, que uma figura odiada (a mulher) entra na casa, no salão de jantar, apontada, escarnecida, acusada; denominada “mulher pecadora”. E ela, ao ver o estado, o modo com que Jesus foi recebido, encheu-se de uma “santa indignação”, que logo se transforma em choro. Ela não chorava por si mesma. Ela chorava por Simão, e por todos que não conseguiam ver além das aparências. Embora Jesus estivesse se apresentando como um humilde carpinteiro, o que estava diante deles era maior entre todos, pois era o Filho do Deus Vivo. E Ele é, antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele (Colossenses 1:17).

A mulher pecadora, então, começa a tentar reparar o erro, a omissão do fariseu religioso, orgulhoso. Ela começa a lavar os pés do Mestre com suas próprias lágrimas; unge os pés do Senhor com o óleo precioso perfumado. Ela fez tudo o que o dono da casa deveria ter feito. Aí, nós vemos o que chamamos de “adoração extravagante”. Adoração extravagante é para aqueles/as que reconhecem verdadeiramente o senhorio de Cristo.

Somos desafiados como Igreja a não servirmos, ou adorarmos por religiosidade, mas sim com uma adoração extravagante, entendendo que: “Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem” (João 4:23).

É tempo de adoração extravagante! Venha adorar conosco! Junte-se a nós! Somos Igreja JUNTOS!

Michelle de Jesus Fernandes Nascimento