SÉRIE DE MENSAGENS: LIVRAI-NOS – VENCENDO COM CORAGEM E ESPERANÇA
IX EPISÓDIO – LIVRAI-NOS da Cobiça pelo Poder
INTRODUÇÃO
Hoje, vamos refletir sobre a história de Hamã, um homem que se deixou consumir pela cobiça do poder, levando-o à ruína. Vamos aprender com sua história e buscar a sabedoria de Deus para evitar os mesmo erros. Logo no capítulo de número um, vemos o Rei (período 486 a.C. a 465 a.C.), que tinha o nome de Khshavarshan, que, em hebraico, tornou-se Assuero, e, em grego, Xerxes. Seu pai era Dario I e seu avô, Ciro, o Grande, de modo que sua família persa era ilustre. Os reis do Oriente, como é próprio de qualquer império, ofereciam banquetes suntuosos, pois, nessas ocasiões, tinham a oportunidade de impressionar seus convidados com o poder e a riqueza do Reino. Neste capítulo, são mencionados três banquetes: um para os oficiais militares e políticos mais importantes (Ester 1:1-4); um para os homens de Susã, local do Palácio de Inverno do Rei (Ester 1.5-8) e outro para mulheres de Susã (Ester 1:9), oferecido pela rainha Vasti. Estes ambientes sempre são fomentadores do pior do ser humano, pois sempre queremos ser aquilo que não somos. Assim sendo, somos potencializados a buscar pelo poder humano e podemos ser picados pela cobiça desenfreada pelo poder humano. Infelizmente, tudo o que é revelado sobre Hamã nas Sagradas Escrituras é detestável; é impossível encontrar um único aspecto louvável em seu caráter; tudo nele é execrável. “Seis coisas o Senhor aborrece, e a sétima sua alma abomina: olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que trama projetos iníquos, pés que se apressam para correr para o mal e testemunha falsa que profere mentiras e o que semeia contendas entre irmãos” (Pv 6:16-19).
1. A Ascensão de Hamã (Ester 3:1-6)
1.1. Hamã era um homem de alta posição, favorecido pelo rei Ahasuerus (Xerxes). Mordecai havia salvado a vida do Rei e sequer recebera uma palavra de agradecimento ou uma recompensa. O perverso Hamã não havia feito coisa alguma e recebera tamanha promoção. Muitos usam lisonja, bajulação para alcançar posições em diversos locais de poder. No entanto, sua ascensão ao poder alimentou o pior de sua interioridade: sua vontade e orgulho. Ele se considerava superior a todos, e sua ira se acendeu contra Mordecai, um judeu que não se curvava a ele. A inveja e o ressentimento o cobriram, levando-o a tomar a destruição de todo o povo judeu.
1.2. Francis Bacon escreveu: “Um homem que cultiva a vingança mantém vivas suas próprias feridas que, de outro modo, sarariam e cicatrizariam”. Hamã era um “agagita”, proveniente de Agague. Provavelmente pode ser descendente de Agague rei dos Amalequitas (I Sm 15:8). Hamã provinha de um povo que era inimigo histórico do povo de Israel. Alguns estudiosos da Bíblia veem Hamã como uma tipologia, imagem de um “homem da iniquidade” que um dia surgirá e exercerá seu domínio implacável sobre a humanidade (II Ts 2; Ap 13). Assim como Hamã odiava os judeus e tentou exterminá-los, também o anticristo iniciará uma onde de antissemitismo por todo o mundo (Ap 12:13-17). Aquilo que as pessoas fazem quando se encontram em um posto de autoridade revela o seu caráter, pois caráter é imagem revelada, foto revelada na escuridão, explicitada no meio dos homens.
1.3. O poder e o sucesso podem ser estímulos para o orgulho. Devemos nos humilhar diante de Deus e dos outros, lembrando que todo o poder vem de Deus (Provérbios 8:13).
2. A Cobiça e a Traição (Ester 3:7-15)
2.1. Hamã usou sua influência para manipular o rei e obter um decreto para aniquilar os judeus. Ele não se importou com a injustiça, apenas com o seu próprio ganho. A cobiça o cegou, levando-o a sacrificar inocentes para satisfazer sua sede de vingança.
2.2. Walter Savage Landor (1775-1864) escreveu: “Quando a sombra dos homens tacanhos tornar-se cada vez maior, é sinal de que o Sol está se pondo”. Hamã era, sem dúvida, um homem tacanho, mas sua vaidade o levava a dar uma falsa impressão de grandeza. “Os tolos tomam para si o respeito conferido pelo seu cargo”.
2.3. A cobiça é idolatria: “Assim, façam morrer tudo o que pertence à natureza terrena de vocês: imoralidade sexual, impureza, paixão, desejos maus e a ganância, que é idolatria” (Colossenses 3:5). Devemos buscar a justiça e a compaixão, lembrando que Deus é o Juiz de todos (Salmos 94:1-3).
3. A Queda de Hamã (Ester 7:1-10)
3.1. A trama de Hamã foi descoberta, e ele enforcado na mesma forca que havia preparado para Mordecai. Sua cobiça pelo poder o levou à destruição. A sabedoria de Deus prevaleceu, e os judeus forma salvos.
3.2. O orgulho e a cobiça são armadilhas que podem levar à ruína. Devemos buscar humildade e a dependência de Deus, lembrando que “Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes” (Tiago 4:6).
CONCLUSÃO
1. Hamã é um exemplo claro de como a cobiça pelo poder pode destruir. Que possamos aprender com sua historia e buscar sabedoria e a humildade de Deus. Que possamos ser pessoas íntegras, buscando a justiça e a compaixão, e confiando no poder Deus para nos guiar.
2. Da mesma forma que Judas no Cenáculo, Hamã tornou-se assassino. Mark Twan chamou o antissemitismo acertadamente de “inveja arrogante de mentes insignificantes”.
3. Mesmo em meio a tantas crises e incertezas nem tudo estava perdido, pois Deus levantou duas pessoas no Palácio – Mordecai e a rainha Ester. Sempre Deus nos salva. Nos naufrágios da vida, sempre há um barco, mesmo que pequeno, à nossa espera!